Dia da consciência negra. Nós que de negros nunca tivemos nada, temos história, talvez tenhamos antepassados, provavelmente temos tudo, nos encontramos.
Nos encontramos num outro mundo lugar paralelo do Centro de São Paulo que eu nunca pensei que pudesse/quisesse/tentasse entrar...SUSPENSE...fica de segredo dos presentes, quem quiser desvendá-lo terá de aparecer das próximas vezes. E foi fantástico, com direito a brindes culturais e um espaço que dá pra se fazer o que quiser.
Mas de tudo isso o que ainda está cravado na minha cabeça, na cabeça de nós quatro acredito foi a longa conversa sobre COMO FALAR DE TUDO ISSO????
Como falar do índio, invadido, amordaçado, transformado, esquecido, queimado? Como falar do negro? Do pobre? Do podre? Se nada disso me pertence. Se nada disso é meu. Se, nas palavras de Carlos, “eu estou cagando pra tudo isso”.
Como e para que falar disso? Sem ser piegas, sem ser didático, sem ser moral. Sem ser burro.
Sim, é preciso falar disso. Devemos tocar as pessoas de alguma maneira, fazê-las pensar, refletir e um dia mudar de atitude. Queimar um prédio público, abrir uma ONG, mudar o seu discurso, seu jeito de agir, ou apenas tomar um suco de maracujá pra esquecer. Mas de alguma maneira, pensar nisso.
E então, percebemos na simplicidade e profundidade da conversa que o mais próximo de todos estes seres, de toda a história deste país sem nação, com tantos brasileiros cheios de amor, somos nós mesmos.
Está em nós, em mim, no Giscar, na Michele, no Zé Valdir....Então está aí o nosso tão procurado tema, em nós, que somos estes brasileiros de quem o Flusser tanto fala. É disso que queremos falar. “Do que nós somos feitos?”
E daí já temos provocações. Já temos idéias.
Já temos vontades.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
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